domingo, 29 de agosto de 2010

Gatilho

She is not a girl who misses much…”
E parou, constrangido (não sabia os próximos acordes). Ela, então, expressou certa decepção em seu olhar. Ele partiu para o refrão, em sol maior, numa tentativa suicida de salvá-los. Ela sorriu – puxou o gatilho – e foi como se a terra tivesse voltado a girar, após um breve instante de paralisação total do tempo. Ele sorriu também. Ambos quase riram. Cantaram juntos. E ela nem se importou com a desafinação do garoto – bang, bang, shoot, shoot.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Natalense

As horas queimam, remam, lembram
Que o dia ainda não acabou.
A areia há de guardar
Nossas pegadas à beira da praia,
Mas o dia acaba...
O tempo finda e o infinito mar
Há de apagar as lembranças deixadas
–frágeis marcas –
Negativos corroídos que não se restauram
(Os olhos fotografam!)

Cada suspiro: Sopra o vento do dia infinito;
É da memória o Natal perdido.